<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom" ><generator uri="https://jekyllrb.com/" version="4.1.1">Jekyll</generator><link href="/feed.xml" rel="self" type="application/atom+xml" /><link href="/" rel="alternate" type="text/html" /><updated>2020-09-01T14:36:47+00:00</updated><id>/feed.xml</id><title type="html">Cenários de Futuro</title><subtitle>Fundação Lemann</subtitle><author><name>Fundação Lemann</name><email>tiago@fundacaolemann.org.br</email></author><entry><title type="html">👉 Introdução</title><link href="/2020/08/30/introducao.html" rel="alternate" type="text/html" title="👉 Introdução" /><published>2020-08-30T00:00:00+00:00</published><updated>2020-08-30T00:00:00+00:00</updated><id>/2020/08/30/introducao</id><content type="html" xml:base="/2020/08/30/introducao.html">&lt;p&gt;A Fundação Lemann identificou em 2019 a oportunidade de construir cenários de futuro para a inovação e tecnologia na educação básica brasileira. A ideia era construir uma ferramenta poderosa que auxiliasse o posicionamento e formulação de estratégias por parte de seu ecossistema de organizações parceiras.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Com o advento da pandemia de Covid-19, essa proposta focou o trabalho de construção de cenários num período mais curto, de três anos, dado o contexto de incertezas que atingiu a sociedade como um todo e a necessidade da educação brasileira recorrer a ferramentas tecnológicas para lidar com a quarentena de estudantes e professores.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Apesar dessa alteração no escopo de tempo (em geral cenários de futuro miram 10 a 20 anos à frente), o objetivo original se manteve: gerar uma análise de contexto por intermédio de uma metodologia testada internacionalmente para ajudar a Fundação Lemann e outros atores do setor a se posicionarem estrategicamente no campo da educação e tecnologia no período pós pandemia.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Assim, formou-se para a construção dos cenários um grupo de 32 pessoas, representando diferentes perspectivas e posições no ecossistema de educação e tecnologia no Brasil — alunos, educadores, gestores educacionais, especialistas em tecnologia, representantes de organizações que financiam iniciativas na área, como BNDES e BID, entre outros.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Entre abril e maio de 2020, cada uma dessas pessoas foi entrevistada individualmente, o que gerou um relatório denominado Síntese das Entrevistas, que reuniu as diversas visões sobre o passado, presente e futuro da educação e tecnologia no Brasil. Este material serviu de insumo para o trabalho de construção dos cenários que se seguiu, em seis oficinas de quatro horas cada, nos meses de junho e julho.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Foi uma das primeiras experiências de construção de Cenários Transformadores de Futuro à distância do mundo. Todo o trabalho se desenvolveu sem qualquer reunião presencial. Recorreu-se, para isso, a duas plataformas principais de trabalho colaborativo à distância, o Zoom e o Mural.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O resultado foram quatro Cenários Futuros para Educação e Tecnologia no Brasil Pós Pandemia. Esperamos que esse exercício coletivo contribua para enriquecer e estimular o debate público e o planejamento de ações em diferentes lugares – das escolas e comunidades a institutos e fundações, das secretarias municipais e estaduais à sociedade em geral –, qualificando com isso a inter-relação entre a educação e a tecnologia na educação básica do país.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;

&lt;div class=&quot;item&quot;&gt;&lt;p&gt;&lt;b&gt;O QUE SÃO CENÁRIOS?&lt;/b&gt;&lt;p&gt;&lt;p&gt;Cenários são histórias que descrevem o que poderia acontecer no futuro, e não o que acontecerá (previsões) ou o que deveria acontecer (recomendações). Construir cenários é um exercício de suspender nossos desejos e nossas respostas, olhar para além de nossas previsões e projeções e nos abrir para pensar uma variedade de futuros possíveis&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O valor desse exercício está em proporcionar uma experiência compartilhada que questiona abertamente nossos pressupostos, contribuindo para o debate público, para inspirar, estimular e informar estratégias, decisões e ações que influenciem a realidade da educação e tecnologia no Brasil. Os cenários, por serem resultado de um processo coletivo de perspectivas diversas, oferecem a vantagem de apoiar os debates sem comprometimento com uma determinada posição. Os cenários nos permitem lidar com o fato de que, embora não possamos prever ou controlar o futuro, podemos trabalhá-lo e influenciá-lo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O planejamento de cenários transformadores tem sido usado nos últimos 25 anos em contextos diversos e complexos. Por exemplo, na transição do apartheid na África do Sul, nos momentos de maior conflito na Colômbia, no pós-guerra civil na Guatemala e na questão das drogas nas Américas num momento de grande incerteza e debate.&lt;/p&gt;
&lt;/p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;</content><author><name>Fundação Lemann</name><email>tiago@fundacaolemann.org.br</email></author><summary type="html">A Fundação Lemann identificou em 2019 a oportunidade de construir cenários de futuro para a inovação e tecnologia na educação básica brasileira. A ideia era construir uma ferramenta poderosa que auxiliasse o posicionamento e formulação de estratégias por parte de seu ecossistema de organizações parceiras.</summary></entry><entry><title type="html">👍 Nossas Certezas para 2023</title><link href="/2020/08/29/certezas.html" rel="alternate" type="text/html" title="👍 Nossas Certezas para 2023" /><published>2020-08-29T00:00:00+00:00</published><updated>2020-08-29T00:00:00+00:00</updated><id>/2020/08/29/certezas</id><content type="html" xml:base="/2020/08/29/certezas.html">&lt;h3 id=&quot;1-a-crise-econômica-e-de-saúde-ainda-impactará-a-população-brasileira&quot;&gt;1. A crise econômica e de saúde ainda impactará a população brasileira.&lt;/h3&gt;

&lt;details&gt;
  &lt;summary&gt;Detalhes&lt;/summary&gt;
  
  &lt;ul&gt;
    &lt;li&gt;A crise na qual o Brasil está entrando pelas consequências da pandemia global deverá ser pior do que a crise econômica que o país experimentou a partir de 2014. O desemprego, atualmente em &lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/28478-pnad-continua-taxa-de-desocupacao-e-de-13-3-e-taxa-de-subutilizacao-e-de-29-1-no-trimestre-encerrado-em-junho-de-2020&quot;&gt;13,3% segundo a PNAD&lt;/a&gt;, do IBGE, deverá chegar a &lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2020/04/24/fgv-preve-desemprego-de-quase-18-e-critica-pais-sem-lideranca-na-crise.htm&quot;&gt;17,8% da população economicamente ativa&lt;/a&gt;, um recorde histórico, segundo o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). Pela primeira vez na história, a PNAD do IBGE contou mais &lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,em-meio-a-pandemia-pais-nunca-teve-tantos-brasileiros-fora-do-mercado-de-trabalho,70003350025&quot;&gt;brasileiros adultos não trabalhando do que trabalhando&lt;/a&gt;.&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;Ao mesmo tempo em que enfrenta uma diminuição da renda, o brasileiro também deverá encontrar serviços de saúde com financiamentos menores. Para 2021, &lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;https://oglobo.globo.com/brasil/orcamento-2021-apos-pandemia-governo-preve-corte-de-13-na-educacao-de-5-na-saude-24591782&quot;&gt;o Ministério da Saúde terá um orçamento de R$ 127,6 bilhões&lt;/a&gt;, corte corte de 4,8% em relação ao planejado para 2020. Com os custos extras atrelados à pandemia, o orçamento da saúde em 2020 ficou em R$ 174,8 bilhões.&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;O cenário se mostra ainda mais preocupante se considerarmos que, durante crises econômicas, os brasileiros tendem a abandonar planos de saúde privados e dependerem do Sistema Único de Saúde. Desde 2014, os planos de saúde privados perderam &lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;https://g1.globo.com/economia/noticia/2020/02/05/planos-de-saude-perdem-604-mil-clientes-em-2019.ghtml&quot;&gt;3,5 milhões de consumidores&lt;/a&gt;. Com o Brasil prestes a voltar a uma grave crise fiscal, espera-se que os investimentos em saúde não acompanhem o aumento na demanda.&lt;/li&gt;
  &lt;/ul&gt;
  &lt;/details&gt;

&lt;h3 id=&quot;2-as-desigualdades-sociais-econômicas-educacionais-e-de-acesso-a-internet-e-tecnologia-seguirão-existindo-no-brasil&quot;&gt;2. As desigualdades sociais, econômicas, educacionais e de acesso a internet e tecnologia seguirão existindo no Brasil&lt;/h3&gt;

&lt;details&gt;
  &lt;summary&gt;Detalhes&lt;/summary&gt;
  
  &lt;ul&gt;
    &lt;li&gt;O desemprego e a diminuição da renda causados pela pandemia deverão atingir muito mais os pobres do que os ricos. Estudo do Instituto Mundial das Nações Unidas para a Pesquisa Econômica do Desenvolvimento (UNU-WIDER) aponta que &lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/04/extrema-pobreza-aumenta-e-pode-piorar-com-coronavirus.shtml&quot;&gt;14,4 milhões de brasileiros deverão ser jogados na pobreza&lt;/a&gt; (viver com menos de US$ 5,50 por dia) como consequência da pandemia. A distribuição do auxílio emergencial de R$ 600 teve um impacto tão grande nesse grupo que a extrema miséria no Brasil (quem vive com menos de US$ 1,90 por dia) caiu para seu menor índice em 40 anos, segundo a FGV. A crise fiscal, porém, significa que o auxílio não poderá ser eterno, o que indica que &lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;&quot;&gt;a extrema pobreza deve aumentar&lt;/a&gt;.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Há outros indícios dessa diferença de impacto. Pesquisa da Plano CDE mostra que, entre março e maio, “51% dos brasileiros das classes D e E, com renda per capita de até R$ 500, perderam metade ou mais de suas rendas, em um contingente de 58 milhões de pessoas”, segundo &lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;https://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/2020/05/nas-classes-d-e-e-51-perderam-metade-da-renda-ou-mais-na-pandemia.shtml&quot;&gt;reportagem da Folha&lt;/a&gt;. Para as classes A e B, o índice ficou perto de 30%. Além de a renda cair mais fortemente para os mais pobres, &lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;https://valorinveste.globo.com/mercados/brasil-e-politica/noticia/2020/06/17/queda-de-precos-e-menos-intensa-entre-familias-de-menor-renda-durante-pandemia.ghtml&quot;&gt;o IPEA descobriu que a deflação&lt;/a&gt; registrada para todas as classes sociais durante a pandemia foi mais acentuada para os ricos do que para os pobres. Em maio, os dados do Ipea mostraram que, para famílias com renda muito baixa a deflação foi de 0,19%. Para as famílias de renda muito alta, o índice foi de 0,57%.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;
Ou seja: os pobres ganham menos e pagam mais durante a pandemia. Não parece haver outro caminho aqui que não o aumento da desigualdade, que impacta todas as áreas da vida do cidadão, como educação e acesso à internet. O Índice de Gini já vinha subindo nos últimos anos como consequência da crise de 2014, segundo &lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;https://cps.fgv.br/destaques/balanco-social-2019-o-brasil-chegou-ao-topo-da-desigualdade&quot;&gt;cálculo da FGV Social baseado na PNAD Contínua&lt;/a&gt;. Dado que os efeitos dessa crise econômica se mostram piores que os da anterior, é seguro esperar que o Índice de Gini continue a aumentar.&lt;/li&gt;
  &lt;/ul&gt;
  &lt;/details&gt;

&lt;h3 id=&quot;3-a-evasão-escolar-aumentará&quot;&gt;3. A evasão escolar aumentará&lt;/h3&gt;

&lt;details&gt;
  &lt;summary&gt;Detalhes&lt;/summary&gt;
  
  &lt;ul&gt;
    &lt;li&gt;A crise econômica deverá forçar dezenas de milhares de alunos da rede privada para a rede pública, um movimento que já começou. A Secretaria de Educação do Paraná registrou, entre março e maio, &lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;https://www.gazetadopovo.com.br/parana/alunos-escolas-particulares-migracao-rede-publica/&quot;&gt;mais de 8,6 mil alunos&lt;/a&gt; que fizeram a transição. Ao mesmo tempo, espera-se um aumento no trabalho infantil - muitas famílias, com a renda em queda, deverão tirar seus filhos do colégio e colocá-los para trabalhar, &lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;https://www.unicef.org/brazil/comunicados-de-imprensa/unicef-alerta-para-o-risco-de-aumento-do-trabalho-infantil-durante-e-apos&quot;&gt;segundo a UNICEF&lt;/a&gt;. De acordo com pesquisa do Datafolha, dos pais que admitiram que seus filhos poderiam abandonar os estudos, 5% citaram a necessidade de que eles trabalhassem para complementar a renda da família.Em 2016 (dado mais recente), o Brasil tinha mais de 2,4 milhões de crianças trabalhando, sendo que 64,1% eram negras, segundo o IBGE. 
&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;Dado o cenário, é muito provável que a evasão escolar reverta a tendência de queda registrada na última década e volte a crescer. No ensino fundamental, a evasão caiu de 5% em 2008 para 2,7% em 2017. No ensino médio, foi de 14,2% em 2008 para 9,1% em 2017.
&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;O Brasil paga caro pela evasão. Segundo cálculo feito por Ricardo Paes de Barros, economista-chefe do Instituto Ayrton Senna e cabeça teórica por trás do Bolsa Família, o país perde cerca de &lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;https://g1.globo.com/educacao/noticia/2020/07/23/pandemia-deve-intensificar-abandono-de-escola-entre-alunos-mais-pobres.ghtml&quot;&gt;R$ 372 mil para cada jovem que abandona a escola&lt;/a&gt;. Com os dados pré-pandemia, o custo da evasão escolar é de R$ 214 bilhões por ano, o equivalente a 3% do PIB. Com a pandemia, o valor,  que abarca a queda nas “possibilidades de emprego, renda e retorno para a sociedade das pessoas que não concluem a educação básica”, deverá subir.
&lt;/li&gt;
  &lt;/ul&gt;
  &lt;/details&gt;

&lt;h3 id=&quot;4-o-educador-continuará-tendo-um-papel-central-no-ensino-e-na-aprendizagem&quot;&gt;4. O educador continuará tendo um papel central no ensino e na aprendizagem.&lt;/h3&gt;

&lt;details&gt;
  &lt;summary&gt;Detalhes&lt;/summary&gt;
  
  &lt;ul&gt;
    &lt;li&gt;É brutal irreal/utópico esperar que algoritmos tomem o lugar das aulas presenciais em médio prazo. Nessa digitalização atabalhoada dos ensinos pedagógicos, professores terão alguns papéis fundamentais, como entender como adaptar da melhor forma as lições e os conteúdos, ao mesmo tempo em que aprendem a conduzir e manter engajados alunos em situações diferentes das encontradas no sistema presencial. Professores terão um papel de farol para entender as possibilidades e limitações das ferramentas digitais e raciocinar como é possível explorar tais ferramentas dentro do plano de estudo tradicional.
&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;Ainda que já existam sistemas de edtechs que tentam automatizar algumas etapas do processo pedagógico, como, por exemplo, as provas para avaliar o aprendizado do aluno, a sala de aula continua sendo um ambiente em que o/a professor/a reina absoluto/a, ainda que de maneira virtual. Pelo menos em médio prazo, softwares e algoritmos dentro da sala de aula poderão ajudar o profissional, e não assumir totalmente a tarefa.
&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;Há um outro lado muito importante do educador, principalmente em meio à pior pandemia do século: a necessidade de lidar com a dificuldade que alunos podem ter em enfrentar uma pandemia global e suas consequências – uma criança que perdeu um parente para a COVID-19 não tem (por razões óbvias) interesse em aprender como calcular a hipotenusa. Sentimentos de tristeza e dúvida sobre o que estamos passando exigirão também que o professor adote uma postura quase de “terapeuta”, capaz de acolher e ajudar o aluno a processar.
&lt;/li&gt;
  &lt;/ul&gt;
  &lt;/details&gt;

&lt;h3 id=&quot;5-a-tecnologia-terá-um-papel-importante-na-educação&quot;&gt;5. A tecnologia terá um papel importante na educação.&lt;/h3&gt;

&lt;details&gt;
  &lt;summary&gt;Detalhes&lt;/summary&gt;
  
  &lt;ul&gt;
    &lt;li&gt;Ainda que feita de forma apressada e esteja cheia de lacunas que precisam ser corrigidas, a educação remota durante uma pandemia se mostra uma opção melhor do que nenhuma educação. Segundo &lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;https://www.itausocial.org.br/noticias/74-dos-alunos-das-redes-publicas-recebem-algum-tipo-de-atividade-nao-presencial-durante-a-pandemia/&quot;&gt;pesquisa DataFolha feita a pedido do Itaú Social, Fundação Lemann e Imaginable Futures&lt;/a&gt;, 82% dos estudantes das redes municipais e estaduais receberam alguma atividade para fazer em casa durante a pandemia. Em maio, o índice era de 74%. Entre os alunos de escolas estaduais, o número chega a 87%.
&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;A tentativa de seguir o ensino durante uma pandemia, ainda sem vacina à vista e com informações básicas sobre o vírus continuando a serem descobertas, só é possível por causa da tecnologia. Essa digitalização deverá deixar um legado no sistema educacional brasileiro, seja nas escolas privadas, seja nas públicas. Há uma aceleração forçada na aplicação de softwares e plataformas digitais no processo pedagógico que, com a descoberta de uma vacina, não deverá se reverter 100%. Experimentos que deram certo deverão ser replicados. Sentiremos as consequências daqui para a frente.
&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;É sempre bom repetir: a digitalização da educação periga aumentar ainda mais o gap educacional que existe entre os alunos mais ricos e os mais pobres. Dados do Cetic.br mostram que quase 70 milhões de brasileiros, principalmente das classes D e E e da zona rural, têm acesso precário à internet. Em São Paulo, por exemplo, mesmo com os esforços da secretaria estadual, a plataforma de ensino digital tinha sido acessada por 1,6 milhão de alunos na metade de maio, menos da metade dos 3,5 milhões de crianças e adolescentes matriculados na rede educacional do estado. A própria secretaria previne: o dado se refere a quem fez login, não a quem acompanhou as aulas. O número de alunos que mantém a rotina de estudos deve ser ainda menor. O problema de infraestrutura privada não se restringe à banda larga. Nas periferias, faltam itens ainda mais básicos, como folhas de papel e lápis, como mostrou reportagem do jornal Folha de S.Paulo em 8 de maio.
&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Vale dizer outro perigo: a digitalização das aulas poderá ser usada pelo MEC para reaproveitar conteúdos já gravados e diminuir a carga horária de professores ou até mesmo demiti-los, uma forma de dar vazão ao corte no orçamento.&lt;/li&gt;
  &lt;/ul&gt;
  &lt;/details&gt;

&lt;h3 id=&quot;6-a-formação-de-professores-em-práticas-inovadoras-e-com-tecnologia-será-um-desafio&quot;&gt;6. A formação de professores em práticas inovadoras e com tecnologia será um desafio.&lt;/h3&gt;

&lt;details&gt;
  &lt;summary&gt;Detalhes&lt;/summary&gt;
  
  &lt;ul&gt;
    &lt;li&gt;Antes mesmo da pandemia, o problema já era grande: segundo a TIC Educação 2019, elaborada pela NIC.br,  mais de 40% dos professores de escolas urbanas nunca utilizaram internet ou computador em sala de aula ou laboratório de informática para dar aulas. Com a pandemia, os professores foram forçados a se adaptar, nem sempre com o treinamento correto. 
&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;Nota-se uma movimentação muito forte das empresas donas das plataformas de ensino remoto em treinamento. É uma política “cada um no seu quadrado”: o Google ensina o Google Classroom, a Microsoft ensina o Microsoft Teams e por aí vai. Os treinamentos são dados conforme a plataforma escolhida, e não existe um direcionamento centralizado do MEC já que também não existe uma estratégia única sobre o método a ser usado. Estados e municípios escolhem as plataformas que lhes parecem melhores. Nessa “visão tecnicista” de ensino, o foco é sempre nas plataformas e com baixa coordenação entre os governos estaduais e municipais.
&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;Segundo &lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;https://www.institutopeninsula.org.br/em-quarentena-83-dos-professores-ainda-se-sentem-despreparados-para-ensino-virtual-2/&quot;&gt;pesquisa feita pelo Instituto Península com mais de 7,7 mil professores entre abril e maio&lt;/a&gt;, 83% deles ainda se sentem despreparados para o ensino virtual. O alto índice é consequência direta de um número ainda maior: antes da pandemia, 88% deles não tinham dado aula virtual. Somadas a falta de experiência, a ausência de uma estratégia centralizada de treinamento e o baixo índice de aproveitamento da internet nas aulas antes da pandemia, nota-se que o desafio de adaptar a didática para a tecnologia será grande.
&lt;/li&gt;
  &lt;/ul&gt;
  &lt;/details&gt;

&lt;h3 id=&quot;7-haverá-falta-de-recursos-públicos-para-a-educação-pública-e-a-tecnologia&quot;&gt;7. Haverá falta de recursos públicos para a educação pública e a tecnologia.&lt;/h3&gt;

&lt;details&gt;
  &lt;summary&gt;Detalhes&lt;/summary&gt;
  
  &lt;ul&gt;
    &lt;li&gt;Desde 2016, a arrecadação federal estava se recuperando do tombo que tomou a partir de 2013, com a crise econômica. Os indícios para o ano fiscal 2020 são muito ruins: em junho, o Governo Federal &lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;https://g1.globo.com/economia/noticia/2020/07/23/no-pior-junho-em-16-anos-arrecadacao-federal-cai-296percent-para-r-862-bilhoes.ghtml&quot;&gt;arrecadou R$ 86,2 bilhões&lt;/a&gt;, queda de 29,6% em comparação a junho de 2019, e o menor número dos últimos 16 anos. Tudo indica que a arrecadação em 2020 será ainda menor que a registrada em 2016, que foi o “fundo do poço” da crise desengatilhada a partir de 2013.
&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;Essa queda recorde na arrecadação federal deverá ser seguida por cortes no orçamento da maioria dos ministérios, MEC incluído. Comunicado divulgado no começo de agosto afirma que, para 2021, &lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;https://g1.globo.com/educacao/noticia/2020/08/10/orcamento-do-mec-preve-corte-de-r-42-bilhoes-para-2021.ghtml&quot;&gt;o orçamento da pasta sofrerá um corte de 18,2% nas despesas não obrigatórias&lt;/a&gt;. Um quarto do valor estava destinado para universidades e institutos federais.
&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;O investimento em ciência e tecnologia tem sofrido cortes semelhantes nos últimos anos. Para 2019, o orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações &lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2019/04/corte-orcamentario-de-42-em-ciencia-e-tecnologia-preocupa-entidades.shtml&quot;&gt;diminuiu 42%&lt;/a&gt; e atingiu até iniciativas sobre pandemias emergentes, um ano antes da COVID-19. Mesmo com esse degrau, a pasta só tinha executado &lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;https://valor.globo.com/brasil/noticia/2019/09/19/ipea-preve-corte-de-verba-ainda-maior-na-ciencia.ghtml&quot;&gt;27% do orçamento previsto&lt;/a&gt;, segundo monitoramento do IPEA. O cenário já era ruim antes da queda de arrecadação com a pandemia. Não há indícios de que haverá uma reversão completa nessa perspectiva.
&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;
Os cortes não são gerais. Há ministérios que, no sentido contrário, terão um incremento no orçamento. O Ministério da Defesa, por exemplo, deverá ter orçamento 48% maior, saltando para R$ 108,56 bilhões em 2021. A previsão é que &lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,ministerio-da-defesa-deve-ter-mais-dinheiro-do-que-a-educacao-em-2021,70003401862?utm_source=twitter:newsfeed&amp;amp;utm_medium=social-organic&amp;amp;utm_campaign=redes-sociais:082020:e&amp;amp;utm_content=:::&amp;amp;utm_term=&quot;&gt;a verba do MEC caia de R$ 103,1 bilhões&lt;/a&gt; para R$ 102,9 bilhões, o que significa que, pela primeira vez em 10 anos, a verba para educação será menor que a verba para defesa.

&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;
Ao mesmo tempo, há um florescimento no número de edtechs no Brasil. O número de startups de tecnologia focadas em educação saltou de 364 em 2018 para &lt;a target=&quot;_blank&quot; href=&quot;https://link.estadao.com.br/noticias/inovacao,brasil-ja-tem-mais-de-700-startups-de-educacao,70003042492&quot;&gt;748 pouco&lt;/a&gt; mais de um ano depois, segundo contagem da Associação Brasileira de Startups. O forte crescimento já significa maior interesse de fundos de investimentos privados na área. Caso o governo reforme a lei que baliza as licitações, facilitando a contração dos serviços, o interesse deve aumentar.

&lt;/li&gt;
  &lt;/ul&gt;
  &lt;/details&gt;

&lt;h3 id=&quot;8-a-sociedade-civil-brasileira-continuará-se-mobilizando-em-torno-de-causas-sociais&quot;&gt;8. A sociedade civil brasileira continuará se mobilizando em torno de causas sociais.&lt;/h3&gt;

&lt;details&gt;
  &lt;summary&gt;Detalhes&lt;/summary&gt;
  
  &lt;ul&gt;
    &lt;li&gt;Com a falta de protagonismo do MEC na definição de uma estratégia educacional para a pandemia, o Brasil está vendo governos estaduais e organizações da sociedade civil ganhando crescente relevância. Estudo do Instituto Península mostra que os principais agentes de transformação da educação durante a pandemia foram as secretarias estaduais de educação, não o MEC, algo possível já que muitas delas se aproximaram da iniciativa privada e de grupos da sociedade civil organizados para pensar e executar estratégias que incluíssem todos os alunos.
&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;A resistência que algumas organizações setoriais, como Consed e Undime, apresentam a decisões do MEC e a retaliação federal que se segue vêm dando maior projeção a grupos do tipo. A postura altamente ideológica do MEC significa que, na falta de respostas organizadas da pasta em momentos como a pandemia de COVID-19, os grupos da sociedade civil que propõem alternativas, ainda que não sejam seus papéis, se posicionam frente à sociedade.
&lt;/li&gt;
    &lt;li&gt;Nesse ganho de projeção frente à inépcia do MEC, os grupos podem aproveitar o vácuo de representatividade e liderança para trazer maior atenção à educação no Brasil.
&lt;/li&gt;
  &lt;/ul&gt;
  &lt;/details&gt;</content><author><name>Fundação Lemann</name><email>tiago@fundacaolemann.org.br</email></author><summary type="html">1. A crise econômica e de saúde ainda impactará a população brasileira.</summary></entry><entry><title type="html">🔎 Diferenciadores Estruturais</title><link href="/2020/08/28/diferenciadores.html" rel="alternate" type="text/html" title="🔎 Diferenciadores Estruturais" /><published>2020-08-28T00:00:00+00:00</published><updated>2020-08-28T00:00:00+00:00</updated><id>/2020/08/28/diferenciadores</id><content type="html" xml:base="/2020/08/28/diferenciadores.html">&lt;h3 id=&quot;1-diversidade-e-desigualdade&quot;&gt;1. Diversidade e desigualdade&lt;/h3&gt;
&lt;h3 id=&quot;2-formação-de-professores-e-gestores&quot;&gt;2. Formação de professores e gestores&lt;/h3&gt;
&lt;h3 id=&quot;3-concepção-de-educação&quot;&gt;3. Concepção de educação&lt;/h3&gt;
&lt;h3 id=&quot;4-acesso-a-internet-e--tecnologia&quot;&gt;4. Acesso a internet e  tecnologia&lt;/h3&gt;
&lt;h3 id=&quot;5-governo-políticas-públicas-e-regulatórias&quot;&gt;5. Governo, políticas públicas e regulatórias&lt;/h3&gt;
&lt;h3 id=&quot;6-economia-investimento-orçamento-e-distribuição-de-recursos&quot;&gt;6. Economia, investimento, orçamento e distribuição de recursos&lt;/h3&gt;
&lt;h3 id=&quot;7-articulação-e-organização-de-atores&quot;&gt;7. Articulação e organização de atores&lt;/h3&gt;
&lt;h3 id=&quot;8-pandemia-e-saúde&quot;&gt;8. Pandemia e saúde&lt;/h3&gt;</content><author><name>Fundação Lemann</name><email>tiago@fundacaolemann.org.br</email></author><summary type="html">1. Diversidade e desigualdade 2. Formação de professores e gestores 3. Concepção de educação 4. Acesso a internet e tecnologia 5. Governo, políticas públicas e regulatórias 6. Economia, investimento, orçamento e distribuição de recursos 7. Articulação e organização de atores 8. Pandemia e saúde</summary></entry><entry><title type="html">📄 Texto Síntese dos Cenários</title><link href="/2020/08/27/sintese.html" rel="alternate" type="text/html" title="📄 Texto Síntese dos Cenários" /><published>2020-08-27T00:00:00+00:00</published><updated>2020-08-27T00:00:00+00:00</updated><id>/2020/08/27/sintese</id><content type="html" xml:base="/2020/08/27/sintese.html">&lt;h4 id=&quot;cenário-1&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://cenarios-de-futuro.fundacaolemann.vercel.app/2020/08/25/completo-c1.html&quot;&gt;Cenário 1&lt;/a&gt;&lt;/h4&gt;

&lt;p&gt;Este é um cenário em que, apesar da crise continuada na economia, política e saúde, há alguns avanços em direção à redução de desigualdades no país por meio do acesso a conectividade, dispositivos e recursos digitais. A democratização crescente do acesso à internet somada a uma articulação entre MEC, secretarias estaduais e municipais, empresas e organizações da sociedade civil, viabilizam a prototipagem de políticas inovadoras de educação e tecnologia alinhadas à BNCC e uma educação de qualidade.&lt;/p&gt;

&lt;h4 id=&quot;cenário-2&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://cenarios-de-futuro.fundacaolemann.vercel.app/2020/08/24/completo-c2.html&quot;&gt;Cenário 2&lt;/a&gt;&lt;/h4&gt;

&lt;p&gt;Este é um cenário em que a pandemia afeta o país de maneira desigual, o governo federal está desarticulado e o MEC, enfraquecido. Na ausência de liderança nacional, emergem iniciativas estaduais e municipais, por vezes articuladas entre si, criando um mosaico de experiências e políticas no país, algumas inovadoras e alinhadas à BNCC, outras mais conservadoras, com diversas concepções de educação e tecnologia.&lt;/p&gt;

&lt;h4 id=&quot;cenário-3&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://cenarios-de-futuro.fundacaolemann.vercel.app/2020/08/23/completo-c3.html&quot;&gt;Cenário 3&lt;/a&gt;&lt;/h4&gt;

&lt;p&gt;Este é um cenário em que o Brasil começa a superar a crise econômica e na saúde. O governo federal ainda está fragilizado e está sob influência crescente do mercado. Novas regras viabilizam investimentos privados que promovem a conectividade e a atuação de empresas em educação e tecnologia, beneficiando, ainda que de maneira desigual, os diferentes territórios do país. A tecnologia é mais presente nas escolas, mas nem sempre traz inovações pedagógicas.&lt;/p&gt;

&lt;h4 id=&quot;cenário-4&quot;&gt;&lt;a href=&quot;https://cenarios-de-futuro.fundacaolemann.vercel.app/2020/08/22/completo-c4.html&quot;&gt;Cenário 4&lt;/a&gt;&lt;/h4&gt;

&lt;p&gt;Este é um cenário de agravamento da crise na economia e na saúde, onde aumentam as desigualdades sociais, econômicas, educacionais e de acesso à internet e tecnologia. Um governo federal conservador sai fortalecido do processo eleitoral de 2022. O MEC tem uma gestão centralizadora, que aloca seu parco orçamento em quem o apoia. Secretarias e instâncias como o Consed e a Undime se dividem e enfraquecem. Movimentos de professores e estudantes se articulam e resistem à concepção de educação e tecnologia imposta pelo governo.&lt;/p&gt;</content><author><name>Fundação Lemann</name><email>tiago@fundacaolemann.org.br</email></author><summary type="html">Cenário 1</summary></entry><entry><title type="html">🤚 Tabela Comparativa dos Cenários</title><link href="/2020/08/26/tabela.html" rel="alternate" type="text/html" title="🤚 Tabela Comparativa dos Cenários" /><published>2020-08-26T00:00:00+00:00</published><updated>2020-08-26T00:00:00+00:00</updated><id>/2020/08/26/tabela</id><content type="html" xml:base="/2020/08/26/tabela.html">&lt;style&gt;

.wrapper {
    max-width: calc(1800px - (30px * 2));
    padding-right: 30px;
    padding-left: 30px;
}

&lt;/style&gt;

&lt;table style=&quot;font-size: 11px&quot;&gt;

&lt;tr&gt;
&lt;th&gt;Diferenciadores Estruturais&lt;/th&gt;
&lt;th&gt;Cenário 1&lt;/th&gt;
&lt;th&gt;Cenário 2&lt;/th&gt;
&lt;th&gt;Cenário 3&lt;/th&gt;
&lt;th&gt;Cenário 4&lt;/th&gt;
&lt;/tr&gt;

&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;Diversidade e desigualdade&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;
Há redução da desigualdade de acesso (conectividade, dispositivos e recursos) bem como do uso da tecnologia. Há ainda redução na desigualdade da aderência dos conteúdos veiculados pelas tecnologias educacionais. Essa redução das desigualdades contempla grupos de alta vulnerabilidade social e econômica.
&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;

A pandemia gerou uma crise educacional em termos de abandono escolar, redução de aprendizagem e de incapacidade de definir objetivos de aprendizagem que incorporem as experiências da ruptura. Um contexto de restrições orçamentárias reduz os investimentos no acesso a ferramentas tecnológicas na educação pública, restringindo fortemente a apropriação e produção tecnológicas. Populações mais vulneráveis são impactadas desigualmente pela crise.

&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;

As desigualdades entre redes e intra-redes de ensino aumentam em relação a 2020. Com a falta de regulação ou incentivos públicos, o setor privado tende a priorizar regiões mais economicamente favorecidas na oferta de soluções de educação e tecnologia.


&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;

A recessão econômica e as ameaças à democracia aumentam as desigualdades e a exclusão. Os principais desafios incluem desigualdades de aprendizagem, evasão escolar, migração significativa da rede privada para a rede pública, com piora significativa do acesso à conectividade, dispositivos, recursos digitais, e ferramentas tecnológicas e da representatividade de raça, gênero, classe e territorialidade no espectro da diversidade da identidade brasileira.


&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;


&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;Formação de professores e gestores&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;

O contexto da pandemia obriga uma reformulação dos formatos de formação. Algumas instituições (ONGs, universidades etc.) se reúnem e lançam cursos de formação apostando no digital para chegar de forma contínua até os professores. Já existem sinais que este modelo é aplicado com sucesso com alguns educadores e alunos e serve de inspiração para um número cada vez maior de usuários nesse novo modal. 


&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;


No geral, há um cansaço e resistência de professores e gestores com os efeitos da pandemia, um burnout generalizado. Do MEC partem iniciativas pouco articuladas de formação, desconsiderando experiência na ponta. Mas há também algumas iniciativas inovadoras a partir de estados, municípios e do setor privado, com ampliação das formações oferecidas online.

&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;

A situação de formação de professores é mantida, de característica mais instrumental e focada em ferramentas específicas. Surgem novas ofertas privadas sobre como ensinar usando tecnologia, mas sem uma demanda organizada das redes, elas ainda não impactam a formação inicial de professores e nem grande parte da formação continuada.


&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;


A formação de professores e gestores a partir do MEC é centrada na dimensão técnica da atividade docente, privilegiando o papel de transmissão de conteúdos dos professores. Existe uma resistência da academia e de professores que, de maneira esporádica e não articulada, propõem e testam alternativas. Estados e municípios se contrapõem às propostas do governo federal, mas estão divididos e não conseguem articular uma contraproposta às diretrizes emanadas pelo MEC.  


&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;

&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;Concepção de educação&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;


A pandemia gerou uma janela de oportunidade. Diminuiu as barreiras dos professores em adotar novas experiências educacionais,, como o ensino híbrido e as metodologias ativas. Docentes e alunos são autores de novas experiências educacionais. Avaliação da aprendizagem funciona como instrumento para qualificar a prática docente e alavancar aprendizagem. 


&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;


O quadro de concepção de educação no país não se altera em relação a 2020, refletindo-se em práticas pouco elaboradas de ensino e na associação superficial de tecnologia à educação.  A inovação nessa área vem de baixo para cima, de municípios e Estados e articulações entre eles. O setor privado também se revela diverso nessa área, promovendo em parcerias público-privadas experiências na área em termos de impacto na aprendizagem, algumas bem sucedidas, outras não.

&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;




A pandemia contribuiu para ampliar a visão da tecnologia como elemento essencial para educação, contudo não foi um vetor para uma mudança de concepção pedagógica, prevalecendo uma visão focada na transmissão de conteúdos. Apenas em algumas poucas redes a tecnologia foi também vetor para inovação pedagógica.


&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;



Prevalece uma concepção de educação que valoriza a transmissão dos conteúdos e autoridade do professor, mas não promove o protagonismo de estudantes e professores. Redes municipais e estaduais promovem, mesmo que de maneira desarticulada, práticas de aproximação com os estudantes, oferecendo uma educação mais inclusiva e alicerçada na BNCC. Ao mesmo tempo, o governo federal tenta usar a tecnologia para colher dados e monitorar (em alguns casos via câmeras) a conduta de alunos e professores. 


&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;

&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;Acesso a internet e tecnologia&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;


A internet chega em mais pessoas. O governo federal promove incentivos para o acesso visando manter a criança na escola e evitar evasão. Alguns governos locais continuam investindo em navegação patrocinada para o acesso à população de baixa renda.


&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;


Apesar do avanço em debates públicos sobre o direito ao acesso à internet, o país não tem uma legislação nacional que garanta isso. Assim, as diferenças sociais e regionais continuam se acentuando. Novas leis que regulam a relação do governo com o setor privado, por exemplo, na área de compras e em parcerias público-privadas, favorecem que Estados e municípios construam iniciativas com o setor privado e revelam novas possibilidades nessa área.

&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;

Apesar do avanço em debates públicos sobre o direito ao acesso à internet, o país não tem uma legislação nacional que garanta isso. Assim, as diferenças regionais continuam se acentuando, ao passo que alguns estados conseguem aprovar legislações próprias e conduzir investimentos locais para o acesso a internet.. 


&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;

A desigualdade do acesso à conectividade, aos dispositivos e recursos digitais, e ao uso e produção de infraestrutura e ferramentas tecnológicas se exacerba. Municípios e estados conseguem oferecer mais acesso a alguns grupos, mas outros continuam excluídos. Não há avanços nas políticas regulatórias que facilitariam o investimento privado nessa área. O pouco investimento do governo federal é direcionado para usar tecnologias para perpetuar sua concepção de educação.


&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;

&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;Governo, políticas públicas e regulatórias&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;

O governo federal teve um papel central nos últimos anos, liderando a priorização de uma série de políticas nacionais para levar o acesso a internet de qualidade para todos no Brasil. O Congresso Nacional transforma o Programa de Inovação Educação Conectada em lei. O MEC se articula com estados e municípios para alinhar a educação com a BNCC.


&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;



As eleições municipais de 2020 e presidencial de 2022 mantêm um país dividido politicamente, sem lideranças consistentes em nível nacional. Um MEC com baixa capacidade de diálogo com a sociedade civil, congresso e judiciário tenta impor de cima para baixo modelos de educação e tecnologia, sem conseguir adesão de muitos estados e municípios. Alguns desses, no entanto, articulam inovações na área, revelando o potencial do federalismo no país.

&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;



Há ausência de um protagonismo do governo federal em atualizar programas de uso pedagógico da tecnologia. A situação de aulas não presenciais faz com que as redes municipais e estaduais pressionam por políticas públicas de tecnologia. 


&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;


O governo centraliza as decisões orçamentárias sobre o que é prioridade na educação, criando suas próprias diretrizes. As transferências programadas continuam acontecendo o os escassos recursos são direcionados para políticas concebidas com praticamente nenhum diálogo. 


&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;

&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;Economia, investimento, orçamento e distribuição de recursos&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;

O governo lidera uma agenda que aumenta significativamente o investimento em acesso à internet, incluindo o destravamento do FUST e a execução da política de Educação Conectada. 


&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;

Após anos de crise, a economia permanece estagnada, dificultando investimentos mais significativos em educação e tecnologia, acentuando diferenças regionais e sociais. 

&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;


Apesar da escassez de recursos, alguns governos estaduais aumentam investimentos em infra-estrutura, conectividade e tecnologias educacionais, em certos casos com recursos privados ou de filantropia. Surgem novas alternativas de monetização para as soluções de tecnologia.


&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;


Mesmo com a aprovação do Fundeb, a redução de arrecadação diminui recursos disponíveis para educação ao mesmo tempo em que o desemprego leva mais alunos das redes privadas para a rede pública e o Covid aumenta as despesas das escolas com itens de higiene e proteção individual.


&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;


&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;Articulação e organização de atores&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;



Mesmo diante da complexidade das eleições de 2022, as organizações da sociedade civil, instituições privadas e da administração pública  consolidam um trabalho de colaboração, alinhado às secretarias de educação e suas escolas.Aumentam os exemplos onde a tecnologia é um instrumento catalisador de mudanças, usado para criar soluções para diferentes contextos e prioridades.


&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;




Em um ambiente de poucos recursos e com uma liderança divisiva a partir do MEC, há baixa articulação em nível nacional. Contudo, alguns estados e municípios exercem forte papel de protagonismo e são capazes de promover experiências bem sucedidas ao combater a evasão e a defasagem de seus alunos. A sociedade civil trabalha em parceria com alguns desses territórios, mas as boas práticas não são convertidas em políticas ou ações para todo o Brasil. 

&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;


Consed e Undime se fortalecem, em articulação com a sociedade civil e o setor privado, e ocupam uma posição de liderança no setor educacional, sendo capazes de representar estados e municípios e de viabilizar um espaço saudável de troca de boas práticas entre eles.


&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;


O MEC se opõe ao envolvimento da sociedade civil na educação pública. A sociedade civil resiste e tenta atuar como guardiã de uma educação de qualidade frente a oposição do MEC. A atuação sindical cresce com a adesão de mais professores após as políticas de volta às aulas resultarem em muitos alunos e educadores doentes.


&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;

&lt;tr&gt;
&lt;td&gt;Pandemia e saúde&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;



Apesar de ainda não ter conseguido desenvolver uma vacina realmente efetiva, a ciência evolui bastante na identificação de tratamentos que atenuam os efeitos mais graves da COVID-19. As taxas de fatalidade reduziram a um nível em que a população se sentiu segura o suficiente para retomar sua rotina e o ano de 2023 se parece muito com o período pré-pandemia, a não ser pelos novos protocolos de segurança e mudanças de comportamento da população. Tecnologias de rastreamento são aplicadas em grande escala para monitorar possíveis novos surtos e testes mais rápidos e confiáveis também são facilmente encontrados nas farmácias. 


&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;




Na falta do desenvolvimento de uma vacina realmente efetiva, o Brasil ainda convive com a COVID-19 A diversidade e extensão geográfica brasileira faz com que várias realidades co-existam. Algumas regiões conseguiram controlar a doença e retomar as atividades, outras ainda vivem períodos esporádicos de  restrição e quarentena. Existem iniciativas para uso de tecnologia para rastreamento de contato entre a população, e restrições de viagens dentro e fora do território nacional são impostas.

&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;




A maioria da população brasileira já está imunizada, embora ainda haja pequenos focos da doença em algumas comunidades, em geral as mais vulneráveis pela falta de universalização da vacina. Estudantes e professores retomam suas rotinas de aulas presenciais, com novos protocolos de segurança.


&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;td valign=&quot;top&quot;&gt;&lt;p&gt;


As pesquisas mais promissoras por novas vacinas falham, e as medidas de segurança perdem efetividade ao passo que a situação econômica força as pessoas para fora das ações de quarentena e distanciamento físico O Brasil não consegue conter a Covid, especialmente entre as classes sociais mais baixas. Alguns sistemas de saúde entram em colapso e muitas famílias convivem com o luto e serviços básicos interrompidos com frequência.


&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;
&lt;/tr&gt;



&lt;/table&gt;</content><author><name>Fundação Lemann</name><email>tiago@fundacaolemann.org.br</email></author><summary type="html"></summary></entry><entry><title type="html">Cenário 1</title><link href="/2020/08/25/completo-c1.html" rel="alternate" type="text/html" title="Cenário 1" /><published>2020-08-25T00:00:00+00:00</published><updated>2020-08-25T00:00:00+00:00</updated><id>/2020/08/25/completo-c1</id><content type="html" xml:base="/2020/08/25/completo-c1.html">&lt;p&gt;Chegamos a 2023 com uma perspectiva melhor que esperada. Apesar de ainda não ter conseguido desenvolver uma vacina realmente efetiva, a ciência evolui bastante na identificação de tratamentos que atenuam os efeitos mais graves da COVID-19. As taxas de mortalidade reduziram a um nível em que a população se sentiu segura o suficiente para retomar sua rotina e o ano de 2023 se parece muito com o período pré-pandemia, a não ser pelos novos protocolos de segurança e mudanças de comportamento da população. Tecnologias de rastreamento são aplicadas em grande escala para monitorar possíveis novos surtos e testes mais rápidos e confiáveis também são facilmente encontrados nas farmácias.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Nesse contexto, os diferentes atores da sociedade se mobilizaram para articular ações, inovar tecnologicamente e avançar o sistema educacional, mesmo diante das restrições impostas pela crise econômica persistente.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Em uma mudança de atitude desde 2019, &lt;a data-balloon-length=&quot;xlarge&quot; aria-label=&quot;Pesquisa do Instituto Península também descobriu que o principal agente na hora de liderar a adaptação do sistema educacional à pandemia não foi o MEC, mas sim as secretarias estaduais de educação.&quot; data-balloon-pos=&quot;up&quot;&gt;MEC se alinha com organizações da sociedade civil, instituições privadas e da administração pública, como Consed e Undime, para que, juntos, dêem os primeiros passos para trabalhar de forma colaborativa entre si, alinhadas com as redes e suas escolas&lt;/a&gt;Com uma visão de educação pautada pela BNCC, esses atores conseguem convergir para construir e investir em soluções que enderecem dores reais do sistema educacional brasileiro.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A partir disso, começam a emergir os primeiros exemplos nos quais a tecnologia é um instrumento facilitador usado para criação de soluções diversas, apropriadas a diferentes contextos e prioridades.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Os alunos começam a se organizar em rede por meio de mídias sociais, buscando se tornar protagonistas de seu momento na escola. Formações de professores e gestores também surgem em novos formatos. &lt;a data-balloon-length=&quot;xlarge&quot; aria-label=&quot;Já vimos isso acontecer, principalmente por parte dos provedores de ferramentas de EAD. O Google e a Microsoft criaram e traduziram materiais para capacitar professores que não sabem usar o ClassRoom e o Teams, respectivamente. O Facebook fechou uma parceria com a Nova Escola para dar aulas pontuais sobre serviços online, não só do próprio Facebook.&quot; data-balloon-pos=&quot;up&quot;&gt;Algumas instituições (ONGs, universidades etc.) se reúnem e lançam cursos de formação digital, por meio de redes nas mídias sociais, para chegar de forma contínua até os professores e gestores&lt;/a&gt;. Após anos de capacitação mais “tecnicista”, centrada em ferramentas e plataformas, cursos começam a avançar no desenvolvimento e capacitação de uma linguagem pedagógica própria para as aulas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;a data-balloon-length=&quot;xlarge&quot; aria-label=&quot;É bom levar em conta que a aceleração forçada na digitalização pode significar que estejamos próximos de um ponto de inflexão no que diz respeito aos formatos de pedagogia digital. Com milhares de colégios pelo mundo sendo forçados a digitalizarem suas aulas, ideias educacionais que usam tecnologia fora do modelo tradicional, ignoradas na última década, podem começar a ganhar tração.O fato de ainda ser possível vê-las não quer dizer que elas já não estejam lá e que já não existam instituições que as adotaram, com bons resultados. É uma história clássica da inovação tecnológica: algo que já está pronto e precisa de um empurrãozinho (na maioria das vezes, não tecnológico) para engrenar.&quot; data-balloon-pos=&quot;up&quot;&gt;Os modelos de formação digital favorecem um processo formativo mais prático para docentes, com bons exemplos de professores e gestores públicos criando suas próprias soluções, com tecnologias que já estavam disponíveis, possibilitando combinar momentos de aulas presenciais com aulas a distância.&lt;/a&gt; Boas soluções pedagógicas que usam tecnologia como pilar, aplicadas com sucesso na rede privada, começam a ganhar as redes públicas de ensino.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O governo federal também teve um papel central nos últimos anos, liderando a priorização de uma série de políticas nacionais para levar o acesso a internet de qualidade para todos no Brasil. Uma série de políticas - o destravamento do FUST, a negociação dos bens concessionados e o acerto dos Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) com as operadoras - se alinhou para dar um caixa de mais de R$ 20 bilhões exclusivo para a área. O Ministério da Economia tenta aplicar o dinheiro em outras áreas, mas o governo mantém o aporte em conectividade. O dinheiro é suficiente para “&lt;a data-balloon-length=&quot;xlarge&quot; aria-label=&quot;O Programa de Inovação Educação Conectada (PIEC) é um inegável sucesso até agora. Graças a ele, pela primeira vez na história, mais de 50% das escolas no Brasil contava com internet de alta velocidade. Nos últimos 12 anos, a penetração de internet e de banda larga nos colégios vinha crescendo em ritmo constante. Em 2019, pelo PIEC, o número deu um salto. Em termos geográficos, dos dez estados com mais escolas desconectadas, oito estão no Norte ou Nordeste, incluindo os dois líderes: Maranhão (7,6 mil escolas) e Pará (6,5 mil). O problema é a crise fiscal que se avizinha. Com menos arrecadação do governo federal, é inevitável que programas sejam cortados. O PIEC é um forte candidato.&quot; data-balloon-pos=&quot;up&quot;&gt;a execução total da política de Educação Conectada&lt;/a&gt;” - todas as escolas no Brasil estão conectadas à internet, 95% delas com fibra óptica própria.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Nesse contexto de maior acesso à internet, a exerção da Lei Geral de Proteção dos Dados (LGPD), vista como prioritária pelo/a novo/a Presidente da República, traz avanços importantes na gestão de dados dos usuários em plataformas digitais, além de mais segurança e mais consciência para sociedade civil em relação ao uso de dados em diferentes contextos. O Congresso também teve um papel importante, transformando em lei o Programa de Inovação Educação Conectada, que garantiu, entre outras coisas, que projetos de lei desconectados das diretrizes determinadas nacionalmente ou da realidade das escolas e do corpo docente fossem barrados quando ainda incipientes e evitassem maiores danos. Com esse novo foco, &lt;a data-balloon-length=&quot;xlarge&quot; aria-label=&quot;O cenário que se desenha até agora é uma tentativa de interoperabilidade sem levar em conta o arcabouço jurídico para garantir a privacidade dos dados e a punição de quem não for capaz de ter cuidado com eles.&quot; data-balloon-pos=&quot;up&quot;&gt;a agenda de regulação dos dados e interoperabilidade virou uma prioridade para o novo governo&lt;/a&gt;. Com a LGPD sancionada e ativa, emerge o primeiro caso de sucesso de um sistema de interoperabilidade na educação, um sistema de troca de informações entre ministérios e sistemas educacionais para otimizar o combate à evasão escolar.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Com a aprovação do Fundeb pelo Congresso ainda em 2020, foi garantida a melhor distribuição dos recursos para educação entre estados e municípios. Tendo como referência casos de sucesso na Europa e com recursos financeiros  para adaptar as escolas ao novo momento, as aulas voltam no começo de 2021 com leves restrições de circulação. A volta ajuda a frear a defasagem educacional e a desigualdade que se acentuava entre alunos com e sem acesso a infraestrutura de tecnologia.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Outro ator importante para os avanços na educação e tecnologia foram as edtechs. O Brasil vem passando por um boom na área. Em 2023, já são mais de 3 mil edtechs no Brasil, crescimento de quase nove vezes em cinco anos. Junto com as startups o Brasil começa a receber novos fundos de investimentos especializados em educação. Com a oferta de serviços, o governo faz uma estratégia centralizada de como usar tecnologia no ensino público, o que passa pela reformulação da tarifação. Em vez dos modelos tradicionais de pagamento, edtechs contratadas pelo governo são remuneradas conforme o atingimento de diferentes metas, como o aprendizado de um aluno em uma área. O sistema educacional brasileiro passa a contar com soluções mais inovadoras que colocam o aluno no centro do aprendizado e rendem dados para que professores diferenciem sua instrução a partir do conhecimento de cada aluno&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;As regras de  interoperabilidade regulada pelo governo, a LGPD, novas soluções oriundas das edtechs e novos modelos de contratações com incentivos, propiciam as primeiras soluções de larga escala, custo-acessível e personalizadas para as necessidades dos alunos, professores e gestores.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;a data-balloon-length=&quot;fit&quot; aria-label=&quot;Já temos indícios de que a crise econômica na qual o Brasil está entrando diminuirá o poder de consumo das famílias, o que significará cortes em gastos como tecnologia. O número de linhas de celular no Brasil vem caindo março - a novidade é que os pós-pagos, mais caros, estão caindo mais rápido que os pré-pagos, que vinham caindo consistentemente nos últimos anos.&quot; data-balloon-pos=&quot;up&quot;&gt;No final de 2023, o Brasil consegue emplacar uma redução da desigualdade de acesso (conectividade, dispositivos e recursos) do uso da tecnologia para consumo e produção&lt;/a&gt;. Os softwares e plataformas digitais agora fazem parte da rotina educacional de milhões de alunos, com alto índice de engajamento. Com o avanço da tecnologia, e da possibilidade de se aplicar avaliações somativas digitais, o INEP consegue fazer a devolutiva da Prova Brasil em poucas semanas e é comemorado uma retomada do crescimento do IDEB, marcando uma virada no cenário educacional pós-pandemia.&lt;/p&gt;

&lt;hr /&gt;

&lt;h4 id=&quot;linha-do-tempo&quot;&gt;Linha do Tempo&lt;/h4&gt;

&lt;h3 id=&quot;2021&quot;&gt;2021&lt;/h3&gt;

&lt;ul&gt;
  &lt;li&gt;Mesmo com a crise fiscal, o governo federal fomenta o acesso à internet sem custo para aqueles que mais precisam e começa uma articulação da sociedade para impulsionar internet ‘zero rating’ por meio de alguns protótipos.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Experiências bem sucedidas de aulas remotas e de volta às aulas em alguns estados e municípios inspiram outras secretarias de educação, que procuram criar espaços de diálogo e troca de aprendizados entre si.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;O governo fecha um acordo com as operadoras para os Termos de Ajuste de Conduta (TAC) para transformar parte do que deve resolver em compromissos de investimento de banda larga em áreas não assistidas.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;O FUST finalmente é destravado e, mesmo com a tentativa do Ministério da Economia de ficar com o dinheiro, vai integralmente para combater a exclusão digital.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Atores da sociedade civil começam a fomentar espaços de discussão (ex. fóruns digitais públicos) para falar de temas relevantes da educação: evasão, aprendizado, avaliação.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Os primeiros grêmios escolares ressurgem com força amparados por tecnologia. 
Professores e alunos constroem dentro da escola uma educação mais participativa&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Os candidatos das eleições de 2022 se comprometem a uma agenda da educação criada em 2021 pelos atores a partir da BNCC.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;As principais pesquisas por vacinas contra o COVID-19 vacilam e não passam na fase 3 de testes, não provando sua eficácia contra a doença. Enquanto isso, novos investimentos são feitos na busca por tratamentos melhores para os doentes mais graves.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;

&lt;h3 id=&quot;2022&quot;&gt;2022&lt;/h3&gt;

&lt;ul&gt;
  &lt;li&gt;Após anos de tensão, Anatel e operadoras Serviço de Telefonia Fixa Comutado (STFC) fecham acordo sobre a compra dos bens concessionados, o que rende dinheiro para agência e compromissos de investimentos em infra-estrutura pelas operadoras.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;A sociedade civil lança plataformas para cobrar mais transparência do governo e seus processos.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Atores da sociedade civil apostam na inovação aberta para construir ações para problemas estruturantes da educação, como a evasão escolar.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;

&lt;h3 id=&quot;2023&quot;&gt;2023&lt;/h3&gt;

&lt;ul&gt;
  &lt;li&gt;O mercado e o novo governo se alinham sobre a importância de investimentos para garantir o acesso à internet. O acesso passa a ser visto como estratégico pois destrava o potencial de empregos e mão de obra.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;A nova gestão do MEC articula com o setor privado e a sociedade civil a coordenação da agenda de regulação da interoperabilidade de dados educacionais, tendo como foco inicial para esse piloto o combate à evasão escolar.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Algumas redes municipais e estaduais implementam práticas pedagógicas que valorizam a aquisição de competências como criatividade, resiliência e colaboração por meio da tecnologia.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;A regulação que permitiu a interoperabilidade de dados para a diminuição da evasão escolar começa a rodar respeitando todas as legislações que garantem a privacidade dos dados de milhões de alunos.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;</content><author><name>Fundação Lemann</name><email>tiago@fundacaolemann.org.br</email></author><summary type="html">Chegamos a 2023 com uma perspectiva melhor que esperada. Apesar de ainda não ter conseguido desenvolver uma vacina realmente efetiva, a ciência evolui bastante na identificação de tratamentos que atenuam os efeitos mais graves da COVID-19. As taxas de mortalidade reduziram a um nível em que a população se sentiu segura o suficiente para retomar sua rotina e o ano de 2023 se parece muito com o período pré-pandemia, a não ser pelos novos protocolos de segurança e mudanças de comportamento da população. Tecnologias de rastreamento são aplicadas em grande escala para monitorar possíveis novos surtos e testes mais rápidos e confiáveis também são facilmente encontrados nas farmácias.</summary></entry><entry><title type="html">Cenário 2</title><link href="/2020/08/24/completo-c2.html" rel="alternate" type="text/html" title="Cenário 2" /><published>2020-08-24T00:00:00+00:00</published><updated>2020-08-24T00:00:00+00:00</updated><id>/2020/08/24/completo-c2</id><content type="html" xml:base="/2020/08/24/completo-c2.html">&lt;p&gt;Em 2023, as realidades na saúde se diversificam, com a pandemia em efeito mosaico, alguns ainda convivendo com a Covid, quarentenas e sistemas de saúde sobrecarregados, outros em situação já mais controlada. Existem iniciativas para uso de tecnologia para rastreamento de contato entre a população, e restrições de viagens fora do território nacional são impostas. Alguns governos estaduais tentam impor restrições de locomoção intraestadual, mas o plano, mal executado, implode.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Nesse contexto, a crise econômica e a falta de coordenação em nível nacional, associados a iniciativas fragmentadas a partir de estados e municípios, agravam as desigualdades do país e impedem uma visão articulada e mais progressista de educação e tecnologia. Isso compromete o atingimento de metas do PNE e a implementação da BNCC.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mesmo assim, algumas secretarias de educação conseguem experimentar inovações e avanços em educação e tecnologia, ainda de maneira mais regionalizada ou local. Essas soluções inovadoras partem de professores e gestores, mas de forma pulverizada – sem, por exemplo, possibilitar uma interoperabilidade de dados entre estados e municípios.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;a data-balloon-length=&quot;xlarge&quot; aria-label=&quot;Além das secretarias educacionais, líderes de adaptação da educação à pandemia, quem vem oferecendo apoio aos professores são grupos da sociedade civil. Uma parceria entre Instituto Peninsula, Consed e 24 secretarias estaduais de educação oferecerá cursos e materiais de apoio para dar apoio socioemocional aos profissionais. Dados disponíveis fora do Brasil mostram que o índice de stress e ansiedade aumentou entre profissionais da educação nessa nova configuração.&quot; data-balloon-pos=&quot;up&quot;&gt;Em relação à formação de docentes e de gestores, no geral, há um cansaço e até resistência de professores e gestores com os efeitos da pandemia, um sentimento de burnout generalizado.&lt;/a&gt;. Do MEC partem iniciativas pouco articuladas de formação, desconsiderando experiências na ponta. A pandemia acelera a troca de professores concursados por temporários, algo já em curso nos últimos cinco anos. Com a aposentadoria ou o afastamento de professores no grupo de risco, estados e municípios abrem às pressas licitações para contratar milhares de temporários.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Em um ambiente de pouco recursos, com uma liderança divisiva a partir do MEC, há baixa articulação em nível nacional em instâncias como o Consed e a Undime. Mas há, por outro lado, algumas iniciativas inovadoras a partir de estados, municípios e do setor privado, com ampliação das formações oferecidas online.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Sem uma estratégia central do governo federal para conectividade, os estados se organizam para levar banda larga a todas as escolas. Governos estaduais replicam casos de sucesso já executados por Ceará e Piauí em criar Parcerias Público Privadas (PPP). Em vez de colocar todo dinheiro da rede de fibra, o governo paga pelo que usa da rede e agentes privados vão buscar financiamento para explorar comercialmente suas partes. A articulação ajuda a diminuir a desigualdade de acesso à internet, mas não de forma homogênea - alguns estados ainda sofrem pela falta de interesse da iniciativa privada.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ao reconhecer essa vida que emerge da base do sistema de educação, mais do que do governo federal, o Brasil tem a possibilidade de vislumbrar a força do federalismo, entendendo o fortalecimento das suas unidades (estados e municípios). Em alguns casos bem sucedidos, atores da sociedade civil também se associam à produção e disseminação de boas práticas. Isso configura um cenário onde as desigualdades regionais aumentam, com os estados e municípios que conseguem se articular e implementar boas práticas avançando nos índices de educação enquanto os outros estados e municípios ficam para trás.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Por fim, frente à falta de planejamento do governo federal para enfrentar a pandemia e suas consequências, as eleições de 2022 consagram governadores que assumiram a liderança em seus respectivos estados. Um deles vence a disputa pelo Palácio do Planalto. Quem ficou marcado pela organização durante a crise ganha relevância e cargos nas eleições.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A estratégia fragmentada pelos estados mostra um aumento considerável no IDEB dos estados que articularam PPPs para conectividade. No geral, porém, a nota do Brasil no PISA não sobe o suficiente para atingir a nota média da OCDE e tirar o país da rabeira do ranking em ciência e matemática. Mesmo os melhores estratégias educacionais dos estados é incapaz de frear o avanço da evasão.&lt;/p&gt;

&lt;hr /&gt;

&lt;h4 id=&quot;linha-do-tempo&quot;&gt;Linha do Tempo&lt;/h4&gt;

&lt;h3 id=&quot;2021&quot;&gt;2021&lt;/h3&gt;

&lt;ul&gt;
  &lt;li&gt;Desigualdades socioeconômicas se evidenciam com a pandemia, que ainda se agrava com idas e vindas de quarentenas.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Mesmo com a aprovação da lei do Fundeb, a crise provoca uma redução drástica de investimentos em educação em todos os níveis, e o fim do subsídio de equipamentos e internet móvel&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;A atuação do MEC é em grande parte desarticulada dos estados e municípios.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;O MEC lança um posicionamento sobre o uso de tecnologia na educação, mas por não ter estabelecido um diálogo com a sociedade civil e os entes federativos, não consegue articular uma mudança significativa.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Sem apoio algum do Governo Federal, redes de escolas lançam atividades e programas de forma pouco articulada para buscar se adaptar à realidade imposta pelo COVID.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Sem uma proposta clara do MEC para diminuir a evasão e recuperar a rotina de  aprendizagem, secretarias estaduais e municipais lançam individualmente ofertas para formar professores e gestores e atender outras demandas emergenciais.
Profissionais da área de educação, antes muito resistentes ao uso de tecnologias, passam a experimentar novas práticas com tecnologias dentro e fora da sala de aula.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;As eleições para presidente e governadores mantêm o quadro de desarticulação política que domina o cenário nacional desde 2020. 
Com cada estado com seu plano, as voltas às aulas são fragmentadas. Alguns estados, com testagem e identificação de focos de propagação do vírus, agem rápido para manter as aulas em curso com alterações pontuais. Outros, sem tanto cuidado, revezam aberturas e fechamentos aguardando a chegada de uma vacina.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;

&lt;h3 id=&quot;2022&quot;&gt;2022&lt;/h3&gt;

&lt;ul&gt;
  &lt;li&gt;Desigualdades se ampliam diante da crise econômica e a sociedade tenta se adaptar e reconstruir a partir dos danos da pandemia.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;A Prova Brasil aplicada em 2021 revela um quadro de enormes prejuízos educacionais para a educação brasileira, em especial na rede pública.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Surgem ações e projetos piloto; como novos modelos de formações descentralizadas e online e encontros sobre novos modelos educacionais adequados às realidades locais a partir de um maior alinhamento e articulação de Estados e municípios.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Pressão da sociedade e dos entes federativos promove o destravamento do FUST e outras iniciativas para expansão do acesso à Internet.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Alguns Estados e municípios, em consórcios como os já existentes na região nordeste, começam a adotar novas práticas para aquisição de serviços e compra de equipamentos, como compras coletivas de municípios.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;

&lt;h3 id=&quot;2023&quot;&gt;2023&lt;/h3&gt;

&lt;ul&gt;
  &lt;li&gt;Emergem algumas plataformas de comunidades de aprendizagem, lideradas por redes públicas de educação, terceiro setor e empresas privadas, voltadas à formação inicial e continuada de professores pela falta de liderança significativa a partir do MEC.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Articulações entre estados e municípios, como consórcios e outras formas de parceria, por vezes associados ao terceiro setor, outras ao setor privado, se consolidam e revelam o potencial de movimentos de qualificação da educação que partem de baixo para cima no sistema de educação.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;</content><author><name>Fundação Lemann</name><email>tiago@fundacaolemann.org.br</email></author><summary type="html">Em 2023, as realidades na saúde se diversificam, com a pandemia em efeito mosaico, alguns ainda convivendo com a Covid, quarentenas e sistemas de saúde sobrecarregados, outros em situação já mais controlada. Existem iniciativas para uso de tecnologia para rastreamento de contato entre a população, e restrições de viagens fora do território nacional são impostas. Alguns governos estaduais tentam impor restrições de locomoção intraestadual, mas o plano, mal executado, implode.</summary></entry><entry><title type="html">Cenário 3</title><link href="/2020/08/23/completo-c3.html" rel="alternate" type="text/html" title="Cenário 3" /><published>2020-08-23T00:00:00+00:00</published><updated>2020-08-23T00:00:00+00:00</updated><id>/2020/08/23/completo-c3</id><content type="html" xml:base="/2020/08/23/completo-c3.html">&lt;p&gt;Em 2023 o pior da Covid já passou para o Brasil neste cenário. A maior parte da população está imunizada contra o vírus, professores e alunos frequentam as aulas presenciais normalmente, embora ainda hajam pequenos surtos da doença em regiões mais vulneráveis, que acionam protocolos bem estabelecidos de fechamento temporário das escolas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O estado brasileiro, no entanto, encontra-se bastante fragilizado, após uma severa crise econômica e um período de eleições fortemente polarizado. O vácuo de liderança deixado pelo governo federal nos últimos anos é, em parte, preenchido por uma atuação maior dos governos estaduais. Porém, o grande protagonista nesse período é o mercado privado, que ora se posiciona como um aliado legítimo na busca por soluções para os problemas tecnológicos e educacionais locais, ora atua com fortes interesses econômicos em detrimento de seu impacto qualificado na educação e tecnologia. A influência do mercado privado se dá principalmente nas regiões mais economicamente favorecidas, ampliando ainda mais o cenário de desigualdades entre regiões.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;No campo da educação, a tecnologia continua sendo, na maioria das vezes, utilizada para reforçar um modelo tradicional de ensino, focado na transmissão de conteúdo, havendo algumas iniciativas mais inovadoras, mas isoladas entre si.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Apesar da escassez de recursos, alguns governos estaduais aumentam investimentos em infra-estrutura, conectividade e tecnologias educacionais, em certos casos com recursos privados ou &lt;a data-balloon-length=&quot;xlarge&quot; aria-label=&quot;Já existe um movimento no mercado de venture capital de fundos filantrópicos se formando no Brasil para explorar problemas de infra-estrutura. Em março, o Instituto Iguá e Climate Ventures lançaram o fundo Ipu – Water &amp;amp; Sanitation Venture Philanthropy, com o objetivo de investir em startups que tentem resolver problemas de saneamento no Brasil.&quot; data-balloon-pos=&quot;up&quot;&gt;de filantropia de risco (venture philanthropy)&lt;/a&gt;. Com o governo fiscalmente fragilizado e a iniciativa privada fortalecida, há vontade política para rever alguns dos principais pontos da Lei de Licitações (LEI Nº 8.666) e explorar potenciais novos formatos de Parcerias Público Privadas (PPP).&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Diante da ausência de políticas e regulamentação nacional para a tecnologia na educação e da importância dessas tecnologias na situação de pós-pandemia, entes subnacionais se articulam com organizações da sociedade civil para o desenho de projetos de uso de tecnologia na educação e pressionam o governo federal por políticas públicas de educação. Este cenário dificulta a interoperabilidade dos dados para gestão educacional e também acentua desigualdades entre diferentes regiões do país.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A pandemia de 2020 ajudou a evidenciar o abismo digital existente entre a parcela da população com acesso à internet e equipamentos tecnológicos e a parcela com restrições para acessar soluções digitais, o que influenciou a criação de projetos de lei e mudanças regulatórias que possibilitaram maior investimento privado na ampliação do acesso à banda larga por parte da população. Como contrapartida ao leilão do 5G, Anatel define regras de levar fibra para todos os municípios em um sistema que beneficia tanto as grandes operadoras, com a construção do backbone, como as pequenas, que distribuem o acesso ao consumidor.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Em educação, a maior participação das operadoras leva à criação de modelos de subsídio para contratação de dispositivos e internet para professores e para alunos de baixa renda. Acompanhando o maior acesso a infraestrutura de tecnologia, o Congresso conseguiu também aprovar formas alternativas de compras públicas criando um novo mercado para as empresas de tecnologia e educação.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Finalmente, como uma de suas poucas contribuições efetivas no período, o MEC consegue reformular o PNLD (Programa Nacional do Livro e do Material Didático) para incluir a compra de tecnologias educacionais, sem contudo fornecer uma orientação de uso pedagógico dessas tecnologias. Seguindo o contexto favorável, o setor de startups de educação e tecnologia ou edtechs se fortalece, com novas oportunidades de monetização para as soluções tecnológicas. &lt;a data-balloon-length=&quot;xlarge&quot; aria-label=&quot;Posto o cenário, fica claro que a recuperação talvez seja otimista esperar uma recuperação das pequenas empresas no mesmo ritmo da recuperação das grandes. Tudo indica que deveremos ter um primeiro reestabelecimento das grandes para depois uma retomada das PMEs. Não está claro quando elas retomariam o mesmo patamar do pré-pandemia.&quot; data-balloon-pos=&quot;up&quot;&gt;Empresas grandes e pequenas começam a se recuperar após os impactos da pandemia, em ritmos diferentes (as grandes lideram, enquanto as demais demoram um pouco mais a retomar o ritmo), embora o cenário de restrição econômica ainda represente uma enorme dificuldade para negociações com o governo&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Em sua maioria, a formação de professores tende a ser pulverizada e focada em ferramentas específicas. Surgem também novas ofertas privadas sobre como ensinar usando tecnologia, mas sem uma demanda organizada das secretarias de educação, elas ainda não impactam a formação inicial de professores e nem grande parte da formação continuada.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dada a heterogeneidade de práticas no uso de tecnologia nas secretarias de educação/redes, alguns professores e estudantes da rede pública e privada, mais letrados digitalmente devido à imersão em ensino remoto durante a pandemia, se articulam criativamente e de forma autônoma para usar e experimentar soluções que atendam suas necessidades de ensino e aprendizagem. Mas eles são mais a exceção que a regra.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O Brasil desse cenário conquista avanços no acesso à internet, mesmo que de maneira desigual no seu território. Porém, enquanto a tecnologia é mais presente nas escolas, essas nem sempre trazem inovações pedagógicas e portanto os resultados no aprendizado dos alunos são inexpressivos. O IDEB da maioria dos municípios empaca, mesmo com mais de 90% das escolas conectadas. A recessão leva a evasão ao mais alto patamar da última década. No Pisa, os resultados do Brasil continuam a decepcionar.&lt;/p&gt;

&lt;hr /&gt;

&lt;h4 id=&quot;linha-do-tempo&quot;&gt;Linha do Tempo&lt;/h4&gt;

&lt;h3 id=&quot;2021&quot;&gt;2021&lt;/h3&gt;

&lt;ul&gt;
  &lt;li&gt;O Brasil enfrenta uma recessão econômica, com aumento das taxas de desemprego e informalidade.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;A pandemia pressiona as redes de educação a incorporar tecnologia e experimentar modelos de ensino remoto e, com isso, também expôs as desigualdades de acesso de professores e estudantes.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;A falta de liderança do MEC nesse contexto, cria espaço para um maior protagonismo dos governos estaduais, Sociedade Civil e empresas privadas de educação&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Surgem formações de professores para uso de ferramentas tecnológicas.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Os sindicatos dos professores resistem à nova forma de atuação e carga de trabalho.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Um edital do PNLD digital é publicado, permitindo compra de conteúdos digitais.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;No leilão do 5G, Anatel prevê, como contrapartida, investimentos em uma rede de fibra que cobra quase todos os municípios.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Os testes para as vacinas de COVID avançam e demonstram alta eficácia. O mundo inteiro passa a fabricar as vacinas e começa uma corrida global para consegui-las.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;

&lt;h3 id=&quot;2022&quot;&gt;2022&lt;/h3&gt;

&lt;ul&gt;
  &lt;li&gt;A recessão econômica persiste e joga milhões de famílias de volta para o nível da pobreza&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;A partir de uma consolidação das parcerias iniciadas durante a pandemia, algumas novas experiências de ensino híbrido são desenhadas e experimentadas por redes públicas de educação&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Congresso conseguiu também aprovar formas alternativas de compras públicas, contornando a Lei 8.666/93&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Em grande parte dos Estados e municípios o impacto fiscal negativo se aprofunda.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;É antecipada a transição do regime de concessão para um regime de autorização, gerando novos recursos para ampliação da infraestrutura de conectividade.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Ao mesmo tempo, a discussão e negociação entre redes públicas e professores para regulamentar as novas exigências do trabalho com tecnologia evolui.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;O PNLD digital é reformulado para incluir tecnologias educacionais.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Um forte investimento público e privado permite imunização de grande parte da população&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Grandes editoras colocam ferramentas tecnológicas em seus serviços mas sem a preocupação com a qualidade destas, geram aumento de gastos sem impacto relevante.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;A recessão continuada é o principal condutor das eleições. Um/a novo/a presidente se elege e o bolsonarismo perde espaço nos governos estaduais e no Congresso.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;

&lt;h3 id=&quot;2023&quot;&gt;2023&lt;/h3&gt;

&lt;ul&gt;
  &lt;li&gt;Governos estaduais aumentam investimento em infraestrutura de conectividade, em alguns casos por meio de recursos privados ou de “venture philantropy”&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Com a falta de regulação ou incentivos públicos, o setor privado tende a priorizar regiões mais economicamente favorecidas na oferta de soluções de educação e tecnologia. As desigualdades de acesso à tecnologia aumenta em relação a 2020.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;O resultado da Prova Brasil é finalmente liberado pelo INEP, e revela um enorme prejuízo educacional, principalmente entre as escolas públicas.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;</content><author><name>Fundação Lemann</name><email>tiago@fundacaolemann.org.br</email></author><summary type="html">Em 2023 o pior da Covid já passou para o Brasil neste cenário. A maior parte da população está imunizada contra o vírus, professores e alunos frequentam as aulas presenciais normalmente, embora ainda hajam pequenos surtos da doença em regiões mais vulneráveis, que acionam protocolos bem estabelecidos de fechamento temporário das escolas.</summary></entry><entry><title type="html">Cenário 4</title><link href="/2020/08/22/completo-c4.html" rel="alternate" type="text/html" title="Cenário 4" /><published>2020-08-22T00:00:00+00:00</published><updated>2020-08-22T00:00:00+00:00</updated><id>/2020/08/22/completo-c4</id><content type="html" xml:base="/2020/08/22/completo-c4.html">&lt;p&gt;Em 2023, o Brasil continua sofrendo os impactos da Covid-19. O país não consegue conter o vírus &lt;a data-balloon-length=&quot;xlarge&quot; aria-label=&quot;Todas as pesquisas que mostram o impacto da COVID-19 estratificado por classe social mostra que os pobres estão mais propensos a serem infectados e morrerem. Em São Paulo, dois terços dos mortos ganhavam menos de 3 salários mínimos. Outro estudo, da Unifesp, mostra uma que os bairros com maior número de mortes por coronavírus 'estão relacionados de maneira mais intensa a locais com maior presença de autônomos, donas de casa e pessoas que usam o transporte público'&quot; data-balloon-pos=&quot;up&quot;&gt;especialmente entre classes sociais mais baixas&lt;/a&gt;. O sistema de saúde público está em colapso e muitas famílias convivem com o luto e serviços básicos interrompidos com frequência. O agravamento da crise econômica desde 2020 também aumenta o desemprego.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A defasagem, evasão e abandono escolar aumentam nas redes públicas — crianças e adolescentes são demandados a trabalhar para ajudar no sustento da família. Ao mesmo tempo, há um grande movimento de alunos das redes privadas indo para redes públicas. A crise sanitária aumenta despesas das escolas com itens de higiene e de proteção individual. No contexto da prolongada crise econômica e de saúde, professores se vêem sobrecarregados de trabalho e emocionalmente esgotados.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Governadores e prefeitos ficam com a culpa pelo fracasso no combate à pandemia e o presidente reelege. O teto de gastos se mantém e, mesmo com a aprovação do Fundeb, &lt;a data-balloon-length=&quot;xlarge&quot; aria-label=&quot;Em junho, a arrecadação do governo federal caiu 30% e voltou ao mesmo patamar registrado em 2005, segundo relatório divulgado pela Receita Federal. A arrecadação vinha em recuperação da queda registrada entre 2011 e 2015, fruto da crise econômica provocada pelo alto endividamento do governo, por meio de bancos públicos, para financiar crédito barato. Nos quatro anos desde 2015, a recuperação foi lenta - cerca de 10% no período. A pandemia coloca a arrecadação em um patamar mais baixo, mas há um possível 'tranco' de recuperação que devolverá o valor para um número um pouco maior mais rapidamente. Ainda não se sabe quanto. A certeza que se tem, porém, é que, com queda de arrecadação, o financiamento de projetos federais, educação inclusive, será inegavelmente impactado.&quot; data-balloon-pos=&quot;up&quot;&gt;a forte redução da arrecadação diminui recursos disponíveis para educação em geral e, em particular, para conectividade e tecnologias — impactando negativamente o Programa de Inovação Educação Conectada (PIEC) do MEC, por exemplo. Aumentam as desigualdades, com piora significativa do acesso à educação, mesmo a distância&lt;/a&gt;. &lt;a data-balloon-length=&quot;xlarge&quot; aria-label=&quot;O consumo das famílias no Brasil durante o primeiro trimestre caiu 2%, segundo o IBGE. Trata-se da maior queda desde o 'apagão do setor elétrico, em 2001, quando houve racionamento de energia'.  A expectativa é que o índice para o segundo trimestre, com efeitos da pandemia nos três meses, indique uma queda ainda maior. Segundo a Ipsos, os gastos das famílias subiram 60% durante a pandemia.&quot; data-balloon-pos=&quot;up&quot;&gt;As famílias gastam menos recursos em smartphones e planos de dados&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A gestão do MEC é marcada por uma concepção de educação conservadora e rígida que se manifesta em novas diretrizes educacionais nacionais e na oposição à participação da sociedade civil na educação pública. Após um primeiro mandato de pouca organização sobre o financiamento da educação básica, o MEC cria dispositivos para usar o orçamento que ainda dispõem para influenciar programas e políticas próprias e alheias às necessidades das  secretarias estaduais e municipais de educação.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A política nacional de tecnologia educacional elaborada pelo MEC tem um foco grande na transmissão de conteúdo e habilidades técnicas e gera uma polarização, com algumas redes se alinhando ao MEC e outras buscando se articular contra. Após seguidas tentativas, o governo emplaca indicações de reitores em universidades federais, que passam a funcionar como centro de desenvolvimento de tecnologias educacionais. Centralizador, o governo, em vez de contratar edtechs, concentra o desenvolvimento próprio de tecnologia a ser usada na educação pública.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A centralização aparece também na política de conectividade. Como já vem fazendo nos últimos anos, a administração federal conecta postos de saúde e colégios desconectados usando a rede de fibra óptica da Rede Nacional de Pesquisa (RNP). A decisão resulta em serviços que são mais caros e lentos e ainda oneram o Tesouro Nacional. Para ajudar no financiamento, o governo destrava o FUST e, seguindo um modelo praticado nos Estados Unidos, cria uma nova taxa sobre conexões privadas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A formação de professores e gestores segue uma linha centrada na dimensão técnica da atividade docente, que privilegia o papel de transmissão de conteúdos dos professores e dá menos ênfase para protagonismo dos estudantes e docentes. Existe uma resistência da academia e dos professores que, de maneiras esporádicas e não articuladas, propõem e testam alternativas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Estados e municípios se contrapõem às propostas do governo federal, mas estão divididos e não conseguem articular uma contraproposta unificada. Ao mesmo tempo, o governo federal usa da tecnologia para colher dados e monitorar (em alguns casos via câmeras) a conduta de alunos e professores nas escolas e universidades, para garantir conformidade com as diretrizes propostas pelo MEC. A sociedade civil busca resistir à autocracia que domina o governo federal, com bandeiras como o cumprimento da Constituição e a garantia de direitos fundamentais. Porém, Consed, Undime e outras organizações se veem ameaçadas pelo governo federal, que usa mecanismos de distribuição de recursos para esvaziar essas instâncias, e com isso não conseguem se articular e representar toda diversidade brasileira. Mesmo assim, algumas poucas redes municipais e estaduais, comandadas por oposicionistas ao governo, fogem a algumas diretrizes do MEC para promoverem uma educação mais inclusiva e alicerçada na BNCC.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Em meio a tantas dificuldades, vislumbra-se atos de generosidade e engajamento, por exemplo, quando alunos de certas escolas se unem para apoiar os colegas que não têm acesso à internet. Esse tipo de iniciativa, que antes era ainda mais raro, começa a se disseminar com a Covid. Embora também isolados, grupos de professores, pais e voluntários demonstram a força da comunidade.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Os bons resultados dos colégios militares no IDEB, foco crescente do governo, no IDEB não escondem que a maioria das escolas estaduais e municipais, atingidos por cortes orçamentários, vão pior que nos anos anteriores. Há conectividade, mas, dada a baixa qualidade da conexão e a falta de estratégia do MEC sobre uso de tecnologia em aula, é difícil implementar novos sistemas pedagógicos digitais. Neste balanço entre pouco colégios militares que vão bem e milhares de colégios públicos com menos dinheiro, a evasão aumenta para seu ápice em 10 anos e o resultado do Brasil no Pisa é o mais baixo da última década.&lt;/p&gt;

&lt;hr /&gt;

&lt;h4 id=&quot;linha-do-tempo&quot;&gt;Linha do Tempo&lt;/h4&gt;

&lt;h3 id=&quot;2021&quot;&gt;2021&lt;/h3&gt;

&lt;ul&gt;
  &lt;li&gt;Evasão elevada em 2020, o número de alunos voltam pra escola diminui significativamente e muitos migram de escolas públicas para privadas.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Nomeação de um novo ministro da educação conservador e autoritário.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Redes de educação testam volta às aulas gradual, que precisam ser interrompidas por aumento do contágio.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;O Brasil entra em 2021 com mais de 200 mil mortos por causa da pandemia.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Professores não conseguem diagnosticar o aprendizado dos alunos no volta às aulas.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;O governo federal, por meio da nova gestão do MEC, enfraquece a Política de Inovação e Educação Conectada (PIEC) cortando parte substantiva do financiamento.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Com o fechamento de postos de trabalho e com a falência de empresas mais pessoas perdem o emprego e aumenta a vulnerabilidade das camadas mais pobres.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;A ocorrência de trabalho infantil e dos adolescentes para ajudar no sustento da família aumenta significativamente.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;As aulas começam a voltar tendo os colégios militares, mais rígidos quanto aos protocolos sanitários, como líderes. O MEC usa o caso de sucesso engrossa ainda mais o argumento seu de aumentar o investimento na construção de novos colégios militares.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Na rede pública, com orçamento menor e estratégias definidas por estado, as escolas têm dificuldades em manter a rotina de aulas sem fechamentos eventuais.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;

&lt;h3 id=&quot;2022&quot;&gt;2022&lt;/h3&gt;

&lt;ul&gt;
  &lt;li&gt;Após seguidas tentativas, o MEC consegue emplacar os reitores que quer em universidades e institutos federais para controlar a gestão.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Para manter sua popularidade alta, o presidente mantém o auxílio emergencial acima do proposto pelo Ministro da Economia, o que faz o endividamento do Estado crescer mais rápido.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Com o auxílio emergencial e o sucesso na estratégia de responsabilizar os governadores pelos efeitos ruins da pandemia, Bolsonaro se reelege para o Palácio do - Planalto e coloca aliados em governos estaduais que lhe faziam oposição.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;O aumento da violência, resultado da evasão e do desemprego, e a proximidade das eleições presidenciais fazem com que movimentos de escolas militares ganham força. Projetos de lei para atender essa pressão social são aprovados.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Entes federativos buscam implementar localmente políticas de acesso e de manutenção da democracia, mas, por conta da baixa articulação, acabam gerando ineficiências e deixando camadas da população desassistidas.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;O IDEB é apresentado e revela piora significativa do índice em todo o Brasil.&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Livros didáticos não dão conta de acompanhar os diferentes níveis de aprendizado dos alunos.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;

&lt;h3 id=&quot;2023&quot;&gt;2023&lt;/h3&gt;

&lt;ul&gt;
  &lt;li&gt;A desigualdade no acesso, uso e produção da tecnologia se acentua drasticamente em um contexto onde há escassez de recursos para educação&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;Por conta da polarização causada pelo MEC, secretarias e instâncias como o Consed e a Undime se dividem e enfraquecem, não conseguindo ter efeitos palpáveis em resultados educacionais&lt;/li&gt;
  &lt;li&gt;O MEC continua perpetuando uma única visão de educação e desarticulando os movimentos que se opõem a sua visão, embora estados, municípios e a sociedade civil criam pólos de resistência&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;</content><author><name>Fundação Lemann</name><email>tiago@fundacaolemann.org.br</email></author><summary type="html">Em 2023, o Brasil continua sofrendo os impactos da Covid-19. O país não consegue conter o vírus especialmente entre classes sociais mais baixas. O sistema de saúde público está em colapso e muitas famílias convivem com o luto e serviços básicos interrompidos com frequência. O agravamento da crise econômica desde 2020 também aumenta o desemprego.</summary></entry></feed>